Ex-policial militar no Espírito Santo , a delegada Layla Lima Ayub foi presa nesta sexta-feira (16), na Zona Oeste de São Paulo, por suspe...
Ex-policial militar no Espírito Santo, a delegada Layla Lima Ayub foi presa nesta sexta-feira (16), na Zona Oeste de São Paulo, por suspeita de envolvimento com o crime organizado. Layla foi empossada no dia 19 de dezembro, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Mas a pergunta que muitas pessoas passaram a fazer nas redes foi: Como ela foi aprovada no concurso em São Paulo se era suspeita de elo com o PCC? De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, a fase de avaliação social, onde é feita a análise da vida pregressa, ocorre antes da prova oral e é de responsabilidade da inteligência policial do estado do candidato. No caso de Layla, não constava nada que a desabonasse.
Depois que o candidato é oficialmente aprovado e empossado, ele passa por escrutínio da Polícia Civil – ou seja, durante três anos, todos ficam em um estágio probatório e podem ser investigados.
A corregedoria não revela a origem da investigação, mas afirma que, para além do relacionamento amoroso com um faccionado, descobriu a atuação da delegada como advogada de um outro integrante do PCC no Pará nove dias após a cerimônia de posse.
Em entrevista coletiva sobre o caso, o secretário da Segurança Pública de São Paulo (SSP), Oswaldo Nico Gonçalves, negou que o processo seletivo tenha falhado. A Justiça determinou a prisão temporária de Layla e investiga o nível de envolvimento dela com a facção. Na decisão, o juiz aponta para a suspeita de que ela tenha entrado para a Civil a mando do PCC.
– De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do país, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso – afirmou o juiz na decisão.
CARREIRA NA POLÍCIA E NA ADVOCACIA
Após fazer carreira na Polícia Militar do Espírito Santo por nove anos, ela passou a exercer a advocacia. Em suas redes sociais, ela apontava que atuava no suporte de casos de flagrante, prisões preventivas, audiências de custódia e investigações criminais. Especializada na área criminal, ela é pós-graduada em direito penal, processual penal e direito constitucional
Ao longo da carreira na advocacia, ela chegou a ser secretária da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Marabá, no Pará. Nas redes sociais, ela publicava vídeos de sua atuação; por exemplo, em um post no qual ela falava da diferença entre prisão em flagrante e prisão preventiva.
NAMORADO NO PCC
Na cerimônia de posse como delegada, que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas, Layla foi acompanhada por Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado como uma das lideranças do PCC no Pará e namorado da delegada.
Além disso, segundo o Ministério Público, a delegada mantinha vínculos pessoais e profissionais com integrantes da organização criminosa e teria atuado de forma irregular como advogada em audiências de custódia de presos ligados a facção, mesmo após assumir o cargo.
Outro ponto apurado é que Layla seria formalmente casada com um delegado da Polícia Civil do Pará, que atua na região de Marabá. A informação foi checada no curso das investigações abertas a partir de uma notícia-crime anônima encaminhada às autoridades.
A investigação também aponta que Layla e Jardel passaram a residir juntos em São Paulo após a posse da delegada, período em que ela frequentava o curso de formação da carreira na Academia da Polícia Civil. Há também indícios de que o casal teria adquirido uma padaria na Zona Leste da capital paulista pouco depois da mudança para lavar dinheiro do crime organizado.
*Com informações AE
