Manobrista era quem cuidava da limpeza de piscina da academia C4 Gym Fotos: Reprodução/TV Globo Proprietário teria informado funcionário so...

Proprietário teria informado funcionário sobre ação da polícia após morte da professora Juliana Faustino Bassetto.
O manobrista da academia C4 Gym, Severino José da Silva, afirmou à polícia que recebeu uma ligação do proprietário do estabelecimento, identificado como Celso, no último domingo (8), um dia após a morte de uma aluna, alertando sobre a movimentação das autoridades e pedindo que o funcionário saísse de casa.
Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo – teria dito o dono do estabelecimento, de acordo com Severino.
Severino prestou depoimento nesta terça-feira (10), no 42° Distrito Policial, no Parque São Lucas, na Zona Leste de São Paulo. A polícia apura a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após uma aula na piscina da academia, além da intoxicação de outras cinco pessoas, entre elas um adolescente e o marido da vítima.
Em depoimento, o funcionário relatou que tentou contato com o dono da academia no último sábado (7), assim que percebeu os primeiros sinais de mal-estar entre os frequentadores, mas não teve retorno imediato. A resposta, segundo ele, só veio mais tarde, quando o espaço já estava vazio. Ao ser informado sobre o ocorrido, o proprietário teria respondido apenas: “Paciência”.
Registrado como manobrista, Severino disse que também era responsável por abrir a academia e cuidar da manutenção da piscina, por determinação do dono. Segundo ele, as orientações sobre o uso de produtos químicos eram dadas por mensagens, a partir de fotos que enviava com os testes da água.
O funcionário afirmou ainda que nunca recebeu treinamento técnico, habilitação ou equipamentos de proteção individual (EPIs) para manusear substâncias químicas. Disse que aprendeu o procedimento com um antigo manobrista e que a falta de preparo era de conhecimento do proprietário.
De acordo com o depoimento, a água da piscina já apresentava aspecto turvo dias antes do incidente. Na última sexta-feira (6), após a última aula, Severino recebeu orientação para aplicar cloro. No dia seguinte, com alunos ainda no local, o proprietário teria pedido nova medição e indicado a aplicação de seis a oito medidas do produto HIDROALL Hiperclor 60.
O manobrista relatou que preparou a solução em um balde com água da própria piscina e deixou o recipiente ao lado da área de aula, a cerca de dois metros da borda. Ele afirma não ter despejado o produto diretamente na água. Não há informações sobre se alguém chegou a jogar o material na piscina.
Minutos depois, ele percebeu forte cheiro de cloro e movimentação incomum na academia. Pessoas começaram a passar mal, incluindo uma mulher na recepção e um adolescente socorrido pelo pai. O próprio funcionário disse ter apresentado irritação nos olhos, garganta e dificuldade para respirar.
Uma viatura da Guarda Civil Metropolitana que passava pela região foi chamada para ajudar no atendimento. No entanto, segundo o relato, as vítimas foram levadas a hospitais por meios próprios. A recepcionista da academia também teria feito ligações para o Samu e para o Corpo de Bombeiros, mas nenhuma viatura teria comparecido ao local. Após o ocorrido, a academia foi evacuada e fechada.
Em nota, a C4 Gym afirmou que lamenta o ocorrido, disse ter prestado assistência às vítimas e declarou estar colaborando com as autoridades. A academia também informou possuir Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), registro no Conselho Regional de Educação Física e alvará sanitário válido desde 2023.
Com Informações:Pleno.News