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Caça a 'Lázaro do Sertão' já dura 6 dias e mãe diz sofrer consequências

  Moradores de Glória do Goitá (PE), a 62 km do Recife, viram a rotina do lugar pacato mudar depois que teve início uma verdadeira caçada ao...

 

Moradores de Glória do Goitá (PE), a 62 km do Recife, viram a rotina do lugar pacato mudar depois que teve início uma verdadeira caçada ao suspeito de assassinato de duas mulheres, uma delas estuprada antes de ser morta. Há seis dias, policiais militares e civis, seguidos pela população, tentam capturar Edson Cândido Ribeiro, 35, e, enquanto isso, a família dele sofre represálias por parte de vizinhos revoltados.

A Justiça emitiu um mandado de prisão contra ele, que continua em movimento, escondido em matas, o que o rendeu apelidos como "Lázaro de Pernambuco", "Novo Lázaro" e "Lázaro do Sertão", em alusão ao suspeito de homicídios do Distrito Federal, que mobilizou uma caçada policial por 20 dias em junho de 2021. A agricultora Eliete Ribeiro, mãe de Edson, conta que a família tem passado por dias difíceis.


A coisa que eu mais quero é que ele se entregue à polícia e pague pelos crimes. A população está tentando pegar ele para matar, mas ele tem que pagar na prisão pelo que fez e precisa de tratamento. Meu filho não está bem da cabeça. Tentaram invadir minha casa e até chegaram a quebrar a grade do meu terraço. Estou muito mal com tudo isso.Eliete Ribeiro, mãe de Edson


Diante da revolta dos moradores da cidade, que estão indo para as ruas com facas e facões nas mãos, a Polícia Militar tem mantido uma equipe sempre perto da casa da mãe de Edson.


"Já tocaram até fogo na casa da minha filha e minhas netas pequenas estão muito assustadas com tudo isso. A gente não sabe onde ele está escondido, mas faço um apelo para que ele apareça e se apresente à polícia. Meu filho já foi preso por outros crimes e eu quero que ele volte para prisão, não quero ver o meu filho ser morto pela população", completou a mãe do suspeito.


Edson está sendo procurado desde a manhã da segunda-feira (31) depois que familiares de Jailma Muniz da Silva encontraram o corpo da jovem de 19 anos no meio de uma mata. Jailma era moradora do Sítio Cueiras, na zona rural de Glória do Goitá, e foi estuprada e assassinada quando estava levando o café da manhã para a mãe e o irmão que trabalhavam na roça.

Na terça-feira (1º), o corpo de Kauany Mayara Marques da Silva, 18, foi encontrado em estado de decomposição, dentro de um bueiro, também em Glória do Goitá. Kauany, que já havia mantido um relacionamento com Edson, estava desaparecida desde o sábado (29).

Com a notícia da morte das duas jovens, o medo e a revolta tomaram conta dos moradores da área urbana e dos sítios da cidade. Muita gente tem evitado andar sozinho nas ruas, principalmente mulheres, e algumas famílias abandonaram suas casas com medo de uma possível invasão por parte do suspeito. Um grupo de homens tem entrado no meio das plantações à procura dele. Algumas pessoas afirmam que ele foi visto nas proximidades da casa dos familiares.
A mãe de Kauany, a dona de casa Michele Marques, espera que a justiça seja feita.


Ele matou minha filha porque ela disse que não queria mais ficar com ele. Esse homem é um monstro. No dia que Kauany desapareceu a gente telefonou para ele perguntando por ela e ele disse que não sabia de nada e que minha filha iria aparecer, mas ele já tinha matado minha filha. Eu quero que ele apodreça na cadeia.Michele Marques, mãe de Kauany


De acordo com Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Edson Cândido foi condenado a uma pena de 13 anos e cinco meses no ano de 2014 pelos crimes de estupro e roubo, pelo Comarca de Pombos (PE). Antes disso, já havia sido condenado, também em 2009, a nove anos e oito meses de prisão pelo crime de roubo.


Dos 23 anos e um mês que deveria ficar preso, Edson cumpriu 13 anos, quatro meses e 18 dias - sendo 11 anos e sete meses em regime fechado. Ele foi posto em liberdade em 19 de dezembro de 2021, após receber o livramento condicional.


As buscas por Edson Cândido mobilizam helicópteros, PMs e policiais de delegacias especializadas. A Secretaria de Defesa Social (SDS) afirmou que as polícias estão trabalhando de forma integrada e contínua para localizar o suspeito.


"Entrevistas e esclarecimentos serão dados oportunamente pelas autoridades policiais, de modo que as diligências não sejam prejudicadas neste momento", a instituição em nota. A Polícia Civil faz um apelo para quem tiver informações do paradeiro do suspeito entrar em contato com as autoridades.

POR FOLHAPRESS