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Para PF, Daniel Vorcaro soube da operação antes de ser preso

  A Polícia Federal (PF) considera ter indícios suficientes para acreditar que o banqueiro Daniel Vorcaro soube previamente que seria alvo d...

 

A Polícia Federal (PF) considera ter indícios suficientes para acreditar que o banqueiro Daniel Vorcaro soube previamente que seria alvo de uma operação policial. Para a corporação, é “improvável” que sua tentativa de deixar o Brasil na noite anterior à ação tenha sido uma “mera coincidência”.

O relatório indica que o empresário começou a receber informações sobre “diligências investigativas” quase um mês antes da deflagração da operação.

O documento aponta que no dia 17 de outubro de 2025, por volta das 9h, membros da PF se reuniram com integrantes do Banco Central (BC) em uma reunião sigilosa sobre a investigação do Banco Master.

Quatro dias depois, no dia 21 de outubro, às 19h08, Vorcaro anotou no bloco de notas de seu celular o nome dos representantes da PF que estiveram na reunião, incluindo o então diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali; o chefe da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros, Guilherme Alves de Siqueira; o agente Wilker Goulart e os delegados Janaína e Britto.

Já no dia 30 de outubro, Vorcaro anotou ter recebido informações sigilosas por parte de membros do BC. Ele disse que “G”; possível referência ao presidente do BC, Gabriel Galípolo; e os outros diretores estavam sendo pressionados a tomar medidas contra ele.

Vorcaro escreveu que seu interlocutor, junto com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, deviam tentar impedir que seus subordinados fizessem “alguma sacanagem”.

Também anotou que “pessoas de dentro do Bacen” descritas por ele como “amigos” ficaram “preocupadas” e reforçou que elas lhe disseram que as informações sobre os nomes envolvidos e as medidas que seriam tomadas eram 100% confiáveis”.

Minutos depois, Vorcaro apagou as mensagens, que acabaram recuperadas pela PF posteriormente.

O relatório descreve ainda as atitudes tomadas por Vorcaro nos dias antes da operação, e que ele chegou a perguntar se seu interlocutor tinha proximidade com o juiz responsável que determinaria as medidas contra ele, Ricardo Soares Leite.

No dia anterior à detenção, o banqueiro recebeu mensagens de seu advogado, Walfrido Warde, e logo em seguida afirmou que estava reservando um voo para deixar o Brasil saindo do Aeroporto de Congonhas.

Para a PF, entre as pessoas que davam informações prévias a Vorcaro, estavam os funcionários do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.

Vale lembrar ainda que o empresário chegou a perguntar em conversa com o ministro Alexandre de Moraes, se deveria deixar o país, dois dias antes de ser preso.

– Acha que segunda já tenho que estar fora? – indagou.

O documento aponta que “diante de todo o exposto, conclui-se pela existência de fortes elementos indicativos de condutas de DANIEL VORCARO e associados direcionadas a proteger o núcleo dirigente da organização criminosa, mediante conhecimento antecipado de atos processuais e articulações com interlocutores em órgãos de controle, ao lado de planejamento logístico para saída do país em janela próxima à deflagração de medidas, o que, somado às comunicações com autoridades e ao acompanhamento de procedimentos internos, compõe o retrato dos “tentáculos” em estruturas públicas e privadas”.

Por: Pleno.News