Um dos nomes mais conhecidos do jornalismo brasileiro, na realidade, não é jornalista de formação. William Bonemer Júnior, ou apenas Will...
Um dos nomes mais conhecidos do jornalismo brasileiro, na realidade, não é jornalista de formação. William Bonemer Júnior, ou apenas William Bonner, formou-se no curso de Comunicação Social, mas habilitado em Publicidade e Propaganda pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP).
O assunto voltou a ser debatido após uma denúncia do jornalista Luís Pablo Almeida, do Maranhão, contra o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2009, a Suprema Corte definiu que não havia a necessidade de formação superior específica em jornalismo para o exercício da profissão.
Bonner iniciou a carreira como redator publicitário em agências de São Paulo em 1983; no ano seguinte, começou a conciliar com o trabalho de locutor na Rádio USP FM. Na emissora da faculdade, ele comandou um programa musical entre 1984 e 1986.
O talento para a comunicação falada levou o publicitário recém-formado para a TV Bandeirantes em 1985. No canal, ele era locutor off (que coloca apenas a voz e não aparece nos vídeos), mas também atuava como apresentador de telejornais. Aqui, a relação com o jornalismo se estreitou.
Em 1986, ele seguiu para a TV Globo, onde fomentou a carreira como apresentador, passando por programas como Globo Rural, Jornal da Globo, Jornal Hoje e Fantástico, até chegar à bancada do Jornal Nacional, onde permaneceu até 2025. Desde 1996, Bonner assumiu o posto de editor-chefe do noticiário, uma atividade que requer uma forte expertise jornalística.
POSSÍVEL REDISCUSSÃO NO STF
Na última terça-feira (18), os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes falaram sobre o tema no STF. Dino afirmou que o sigilo da fonte não pode ser utilizado para “desinformar”. Moraes, por sua vez, declarou que a liberdade de imprensa não pode ser usada para o “cometimento de crimes”.
Gilmar Mendes, que foi relator do julgamento de 2009 que derrubou a exigência do diploma, comentou o assunto nesta quarta (19), após participar de um fórum sobre saúde em Brasília, e também afirmou que o assunto pode ser rediscutido caso se entenda que existe comprometimento na qualidade da informação.
– Podemos discutir, sim, se de fato se entender que há aí algum comprometimento na qualidade de informação – disse o ministro.
COMO FOI O JULGAMENTO EM 2009
Em junho de 2009, o Supremo decidiu, por 8 votos a 1, que a exigência de diploma superior em jornalismo era inconstitucional. Apenas o ministro Marco Aurélio votou pela manutenção da obrigatoriedade entre os integrantes presentes no julgamento.
A regra estava prevista no Decreto-Lei 972, de 1969, editado durante o regime militar. Para o STF, a exigência era incompatível com a liberdade de imprensa e a livre manifestação do pensamento previstas na Constituição.
No julgamento, Gilmar Mendes afirmou que a formação acadêmica não funcionava como uma “vacina contra o mau jornalismo”. O ministro também defendeu que a atividade fosse submetida principalmente à autorregulação dos próprios veículos de comunicação, e não à fiscalização estatal ou a conselhos profissionais.
PAÍSES QUE NÃO EXIGEM DIPLOMA
Enquanto o Brasil discute a volta da obrigatoriedade de diploma, entre os países que não exigem formação específica em jornalismo para o exercício da profissão estão: Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Suécia e Suíça. Em algumas dessas nações, porém, existem formas de regulamentação ou reconhecimento profissional.
Por: Pleno.News