Um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em novembro de 2025, o empresário Vorcaro , dono do Master , realizou u...
Um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em novembro de 2025, o empresário Vorcaro, dono do Master, realizou uma busca na internet sobre o juiz responsável pela 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramitava o inquérito sigiloso que resultou em sua detenção. A informação consta em dados extraídos do celular do executivo.
O registro dessa pesquisa passou a integrar o material analisado por investigadores da Polícia Federal (PF) e foi compartilhado com parlamentares da CPMI do INSS. A consulta foi feita em 16 de novembro, um dia antes da prisão, ocorrida na noite do dia 17, quando Vorcaro tentava viajar para Dubai, com escala em Malta.
As investigações apontam indícios de que o empresário teria tido acesso antecipado a informações sigilosas. De acordo com a Polícia Federal (PF), ele e aliados teriam invadido sistemas do Ministério Público Federal (MPF) e da própria PF, obtendo dados sobre procedimentos em andamento, inclusive o que resultou em sua prisão.
Ainda no dia em que fez a busca na internet, Vorcaro criou no seu bloco de notas uma anotação com o texto: “Vocês são próximos? Ricardo Soares Leite, 10 vara criminal federal”. A anotação teria sido enviada a um destinatário não identificado como mensagem de visualização única, o mecanismo que era adotado por Vorcaro para não deixar rastros de suas conversas.
No dia seguinte, data em que foi preso, o banqueiro também teria enviado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionando sobre possíveis desdobramentos do caso. A ordem de prisão foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, substituto da 10ª Vara Federal, após pedido do MPF. A decisão havia sido solicitada cerca de um mês antes.
Outro ponto analisado pelos investigadores envolve a possível circulação antecipada de informações na imprensa. Uma publicação feita no dia da prisão pelo site O Bastidor, do jornalista Diego Escosteguy, mencionava a existência de processo contra Vorcaro, e teria sido utilizada pela defesa do empresário em manifestação apresentada à Justiça pouco depois da decisão judicial que ordenou a prisão do empresário.
Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, três dias antes da publicação da nota do Bastidor e da prisão de Vorcaro, Escosteguy havia enviado ao dono do Master dados bancários de uma conta do Nubank para que um pagamento fosse efetuado. O jornalista, porém, já disse que os valores mencionados referem-se a contratos de patrocínio e publicidade, prática regular no mercado de comunicação.
– Assim como qualquer veículo de imprensa, O Bastidor mantém parcerias comerciais que não interferem na linha editorial nem no conteúdo das reportagens – afirmou.
Por: Pleno.News