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Saiba mais: Menino morto pela mãe era ameaçado por madrasta


A morte do menino Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos, tem causado grande repercussão ao longo dos últimos dias por conta da forma cruel como a criança era tratada e pela frieza da mãe, conforme apontado pela polícia. Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, que confessou ter matado o próprio filho, está presa. A companheira dela, Bruna Nathieli Porto da Rosa, também está detida.

As investigações indicam que Miguel sofria intensa tortura física e psicológica, chegando a ser amarrado dentro de um guarda-roupa. Prints de conversas e vídeos obtidos pela polícia apontam que a madrasta do garoto chegou a conversar com a mãe da criança e com a própria irmã sobre a compra de uma corrente para amarrar o menino. O item foi encontrado pela polícia.

Para que você possa entender melhor o caso, trazemos uma série de informações a respeito de como tudo aconteceu e o que já foi descoberto pelos policiais sobre a morte do menino:

CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME E VERSÃO DA MÃE
Na madrugada da quarta-feira passada (28), Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, de 26 anos, deu remédios ao filho Miguel dos Santos Rodrigues e o colocou dentro de uma mala. À polícia, a mulher disse que não tinha certeza se a criança estava viva ou morta. O fato aconteceu em Imbé, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

– Para fugir, com medo da polícia, saiu de casa, pegando ruas de dentro, não as avenidas principais, levou a criança dentro de uma mala na beira do rio, e jogou o corpo. Repito, ela não tem convicção de que o filho estava morto – afirma o delegado do caso, Antônio Carlos Ractz.

Já na noite de quinta-feira (29), Yasmin foi à delegacia, junto com a companheira Bruna, registrar o desaparecimento do filho. De acordo com o delegado Antônio Carlos, ela começou a apresentar uma série de contradições em seu relato que levaram os policiais a desconfiarem da história.

– [A mãe da criança] alegou que o filho havia desaparecido há dois dias e que ainda não havia procurado a polícia porque pesquisou no Google e viu que teria que aguardar 48h. E começou a apresentar uma série de contradições, o que levou desconfiança da BM e PC – disse o delegado.

Foi então que, ao ser procurada pelo delegado responsável pelo caso, Yasmin teria admitido o crime. Antônio Carlos disse ter ficado surpreso com o comportamento da mulher e afirmou que nunca havia se deparado com uma pessoa tão fria durante toda a sua carreira.

– Ela tem um perfil de psicopata. Durante toda a minha carreira, eu não havia me deparado com alguém tão frio – afirmou.

A PARTICIPAÇÃO DA COMPANHEIRA NO CRIME
Bruna Nathieli Porto da Rosa, companheira de Yasmin, foi presa temporariamente no fim da tarde de domingo (1°). A investigação do fato já indicava o envolvimento dela desde o sumiço da criança, o que foi corroborado após a polícia ter acesso aos telefones celulares da mãe e da madrasta de Miguel e encontrar trocas de mensagens e vídeos nos quais ela ameaçava o menino.

Os indícios encontrados pelos agentes apontam para a prática de maus-tratos e violência psicológica contra a criança. Uma conversa por texto entre Bruna e Yasmin, obtida pela polícia, mostra diálogos sobre a compra de uma corrente, que seria usada para acorrentar o menino com o objetivo de evitar fugas.

O delegado Antonio Carlos Ractz disse que a madrasta de Miguel passou por uma avaliação psiquiátrica, que apontou autismo leve. Porém, segundo o delegado, o fato não impede a responsabilização dela.

– Ela será avaliada por peritos que concluirão se ela é imputável, semi-imputável ou inimputável. De qualquer forma, ela permanecerá presa enquanto não sair o resultado dessa perícia – disse.

BUSCAS POR MIGUEL
O Corpo de Bombeiros realizou buscas no Rio Tramandaí a partir da denúncia à procura do corpo do menino. A corporação utilizou motos-aquáticas, botes, lanchas e um drone para identificar os locais de mais difícil acesso. Porém, como havia bastante mata e vegetação costeira, que dificultavam as buscas, foi convocada a Equipe de Mergulho de Porto Alegre.

Os profissionais da capital gaúcha atuaram na tarde de sábado (31) e em todo o domingo (1°), nas águas internas de água doce. Cerca de 16 homens atuaram na operação. Ao mesmo tempo, embarcações foram alertadas para ficarem atentas a algum sinal do corpo do garoto no mar.

Devido ao curso do rio desaguar no oceano, os bombeiros fazem, desde então, varreduras nas praias para ver se algum objeto foi levado à terra nas orlas de Capão da Canoa e Torres. O comandante do Corpo de Bombeiros de Tramandaí, tenente Elísio Lucrécio, disse que as buscas agora estão concentradas no mar.

– A correnteza do rio está forte, continua mandando água para fora, em direção ao mar. Já será o terceiro dia de vazante. Então isso também diminui as nossas chances de o menino ainda estar na lagoa, estar no rio – ressalta.

Como apoio ao Corpo de Bombeiros, corporações como a Marinha, a Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar e a Polícia Civil também participam das buscas. Os bombeiros também pedem a ajuda de pescadores, que eventualmente podem avistar o corpo do menino no mar.

TORTURA FÍSICA E PSICOLÓGICA EM MIGUEL
Os policiais civis suspeitam que a criança vivia sob intensa tortura física e psicológica. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Miguel não tinha amigos, não frequentava lugar algum e era trancado em um cômodo da casa onde morava, de castigo.

– [A criança] era desnutrida, embora estivesse matriculada na escola, não tinha amigos, não frequentava lugar algum, era trancada em um cômodo da casa, posta de castigo, trancada amarrada dentro de um roupeiro – descreveu.

O delegado afirma que, durante o interrogatório, a suspeita não demonstrava nenhum sentimento pelo filho. “A preocupação é com a companheira, não com a criança. Ela declarou que o filho atrapalhava ela”, disse.

Ractz fez questão de ressaltar que a companheira de Yasmin também participava das torturas psicológicas. Em um vídeo acessado nos celulares das suspeitas ela se dirige ao menino, que está dentro de um guarda-roupa, e ameaça espancá-lo caso desobedecesse.

– Eu vou te cuidar. Se a tua mãe chegar e tu te mijar, eu te desmonto a pau. Eu te desmonto, eu te desmonto, eu te desmonto, e tu vai sair todo quebrado. Se tu se mijar, eu pego o teu mijo e esfrego na tua cara – diz Bruna, no vídeo.

CONSELHOS TUTELARES NÃO REGISTRARAM DENÚNCIAS
O Conselho Tutelar de Imbé informou que a família de Miguel morava na cidade desde maio de 2021. O conselheiro João Batista de Matias, responsável pela cidade, disse que não havia registro de denúncias envolvendo mãe e filho.

Matriculado na escola em maio, Miguel não chegou a frequentar aulas presenciais, apenas atividades remotas. De acordo com a diretora da instituição, a mãe alegou que a criança sofria de asma. Segundo Elenice de Souza Ribeiro, a mãe “parecia preocupada” com a educação do filho, pois levava as avaliações para casa e devolvia os trabalhos na instituição.

Antes de morarem em Imbé, Yasmin e Miguel viviam em Paraí, na Serra do Rio Grande do Sul. No município, também não há registro de denúncias, segundo a conselheira tutelar Maria Therezinha da Silva Richetti.

Na escola em que Miguel estudava em Paraí, a avaliação era de que a mãe se fazia presente na vida escolar do aluno, acompanhando trabalhos e notas. Miguel era descrito como uma criança tranquila e sempre muito sorridente, sem dar sinais de que vivia sob maus-tratos.

AVÓ MATERNA CHEGOU A PEDIR A GUARDA DO GAROTO
A avó materna de Miguel iniciou, no dia 8 de junho, um processo para obter a guarda da criança, segundo a Defensoria Pública do Rio Grande do Sul. A ação, no entanto, só passou a tramitar no Judiciário em 29 de julho, quando o menino já havia sido dado como morto.

A Defensoria diz que a demora aconteceu porque a mãe da criança só entregou a documentação necessária para a abertura do processo um dia antes de comunicar à polícia o desaparecimento do filho. O Tribunal de Justiça disse que o processo de alteração consensual de guarda, cujas autoras são a mãe e a avó da criança, foi registrado às 16h03 do dia 29 de julho.

Por; Pleno News

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