‘Conseguiu bloquear?’: Vorcaro para Moraes no dia da prisão - Notícias de Brasília

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‘Conseguiu bloquear?’: Vorcaro para Moraes no dia da prisão

  A quebra de sigilo telefônico de Daniel Vorcaro revelou mensagens do banqueiro para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Moraes ,...

 

A quebra de sigilo telefônico de Daniel Vorcaro revelou mensagens do banqueiro para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Moraes, na manhã do dia em que foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro de 2025, véspera da deflagração da Operação Comppliance zero.

Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear? – perguntou o empresário por mensagem.

A resposta de Moraes, no entanto, não foi encontrada, pois o ministro enviou com visualização única, o formato em que após ser ouvida, a mensagem é expirada e não pode ser compartilhada. As informações foram publicadas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

No mesmo dia, Daniel Vorcaro foi detido quando tentava embarcar para Dubai, em um jato particular, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O banqueiro e o ministro também trocaram mensagens em 1º de outubro; no entanto, ambos apagaram o conteúdo. Há também registros de outras ligações entre os dois.

As investigações da Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro já sabia que seria preso e que o Banco Master seria liquidado. Ele tinha ciência, sobre o inquérito que apurava a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao BRB, o banco estatal de Brasília. 

A assessoria de imprensa do STF emitiu um comunicado sobre a divulgação das conversas divulgadas.

– O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal – disse a nota.

A operação revelou ainda que Daniel Vorcaro corrompia os chefes de supervisão do Banco Central, Paulo Sergio Souza e Belline Santana, para obter orientações e antecipar monitoramentos.

Em uma tentativa desesperada de evitar a prisão, a defesa do banqueiro entrou com uma petição na 10ª Vara Federal apenas 18 minutos após a ordem judicial sigilosa, alegando que medidas cautelares causariam “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”.

No mesmo dia em que Vorcaro perguntou a Moraes se ele “conseguiu bloquear” a ação, o banco anunciou a venda de R$ 3 bilhões para o grupo Fictor e supostos investidores árabes não identificados. O movimento era uma última tentativa de obter capital após o veto da venda ao BRB e o esgotamento dos créditos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O anúncio ocorreu no fim da tarde do mesmo dia, mas não houve tempo para formalizar o negócio antes da prisão do banqueiro, por volta das 22h.

O Banco Central liquidou o Master no dia seguinte, data de início da Operação Compliance Zero. Apesar de Vorcaro ter afirmado que “fez uma correria para salvar” a instituição, a cronologia demonstra que sua rede de influência não foi suficiente para alterar o desfecho.

A defesa de Daniel Vorcaro ainda não se pronunciou sobre as revelações.

A informação teria chegado por meio de um acesso fraudulento ao sistema da PF.