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Copom interrompe sequência de queda e mantém Selic em 2% ao ano

Índice se mantém no menor nível desde o início da série histórica Após uma longa trajetória de redução, o Banco Central (BC) decidiu manter ...


Índice se mantém no menor nível desde o início da série
histórica

Após uma longa trajetória de redução, o Banco Central (BC)
decidiu manter a taxa básica de juros da economia no atual patamar de 2% ao
ano. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) foi unânime, em
reunião encerrada nesta quarta-feira (16). A manutenção do índice era esperada pelos analistas financeiros, que
apostam na Selic neste patamar até o final do ano.

Em nota, o Copom
informou que a inflação deve se elevar no curto prazo, principalmente por causa
do movimento de alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização
parcial do preço de alguns serviços, no contexto de retomada maior da atividade
econômica. "O Comitê entende que essa decisão [manutenção da taxa Selic]
reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a
usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação
para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, em
grau menor, o de 2022", diz um trecho do comunicado oficial.

Sobre futuros ajustes
nos juros básicos, o Comitê ressaltou que novas mudanças, caso ocorram, serão
graduais e dependerão da situação das contas públicas. "O Copom entende
que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário
extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e
de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política
monetária, se houver, deve ser pequeno. Consequentemente, eventuais ajustes
futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e
dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas
informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva",
destacou o comunicado.

A Selic se mantém no
menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De
outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a
ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em
outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que
a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018, só voltando a ser reduzida em
julho de 2019.

Inflação

A Selic é o principal
instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial,
medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nos 12 meses
terminados em agosto, o indicador fechou em 2,44%. O índice vem sofrendo uma
aceleração desde julho, mas ainda continua abaixo do nível mínimo da meta
estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2020, o CMN fixou
meta de inflação de 4%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O
IPCA, portanto, não poderá superar 5,5% neste ano nem ficar abaixo de 2,5%. A
meta para 2021 foi fixada em 3,75%, também com intervalo de tolerância de 1,5
ponto percentual para baixo ou para cima.

No Relatório
de Inflação, divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a
autoridade monetária estimava que o IPCA fecharia o ano em 2,4% no cenário
base. Esse cenário considera as estimativas de mercado.

A projeção, no entanto,
ficou defasada diante da pandemia de covid-19. De acordo com o Boletim
Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo
BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 1,94%.

Crédito mais barato

A taxa Selic estimula a
economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o
consumo em um cenário de baixa atividade econômica. No último Relatório
de Inflação, o Banco Central projetava encolhimento de 6,4% para a
economia neste ano. Essa foi a primeira projeção oficial do BC, revisada após o
agravamento da crise provocada pelo novo coronavírus.

O mercado projeta
contração um pouco menor. Segundo a última edição do Boletim Focus os
analistas econômicos preveem contração de 5,66% do Produto Interno Bruto (PIB,
soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2020.

A taxa básica de juros é
usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e
Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da
economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda
que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e
estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros
básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas
enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária
precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de
subir. As reuniões do Copom ocorrem a cada 45 dias. Até o fim de 2020, estão
previstos mais dois encontros do colegiado para definir o valor da taxa
Selic. 

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